PERMANECER.
Há dias em que a vida nos veste de silêncio.
Não aconteceu nenhuma tragédia anunciada. O sol nasce no horário de sempre, as pessoas seguem , os pássaros continuam o seu trabalho de cantar. Apenas nós é que amanhecemos um pouco mais cansados.
É curioso como a tristeza é discreta.
Ela não bate à porta. Entra pela fresta das lembranças, senta-se ao nosso lado e nos convence, por alguns instantes, de que somos os únicos habitantes do nosso sofrimento.
Mas a vida tem o hábito de desmentir a solidão.
Em alguma casa, alguém também está olhando pela janela, tentando encontrar motivos para continuar.
Em algum lugar alguém sorri para esconder as próprias lágrimas. Há um homem que perdeu os sonhos, uma mulher que guarda uma saudade, um jovem que procura o seu caminho. Somos muitos, embora nos sintamos tão poucos.
Aprendi que existir não é uma sucessão de vitórias. É também colecionar pequenas resistências. Há dias em que a grande conquista é simplesmente permanecer. Levantar-se da cama, fazer um café, abrir a janela e pensar: "Vamos atravessar mais este dia."
Não é pouco.
As árvores mais belas já enfrentaram ventos que quase as partiram ao meio. Ainda assim, continuam oferecendo sombra. Talvez seja esse o destino das almas solitárias persistirem de pé, mesmo quando o tempo lhes arranca as folhas.
Se a tristeza lhe visitar, ofereça-lhe uma cadeira, mas não lhe entregue as chaves da casa. Ela é visita, não moradora.
E quando a noite lhe parecer longa demais, lembre-se de uma verdade simples, dessas que a vida nos sussurra baixinho: o amanhecer nunca se esqueceu do caminho.
AGUENTE FIRME!!
Felix Chaves
Enviado por Felix Chaves em 24/07/2026