Eu Não Tenho Medo
Desde pequeno, aprendi a repetir para mim mesmo: Eu não tenho medo. No início, era só uma frase vazia, dita com a mesma convicção que uma criança tem ao garantir que não vai chorar quando cair da bicicleta.
Mas, com o tempo, a repetição virou verdade – ou quase isso.
Na escola, quando me chamaram para falar na frente da classe, eu não tenho medo. Quando precisei enfrentar aquela prova de matemática, eu não tenho medo. No primeiro emprego, com a pilha de tarefas que parecia me engolir, eu não tenho medo. Quando a vida lançou seus primeiros golpes reais, a frase saiu mais fraca, mas ainda assim eu dizia: eu não tenho medo.
Não era uma mentira. Mas também não era toda a verdade.
A gente aprende que a coragem não é a ausência do medo, mas a disposição de seguir em frente apesar dele. Eu me convenci de que ser forte era nunca hesitar, nunca recuar, nunca demonstrar fragilidade. Mas a verdade é que, por trás do meu escudo de valentia, eu também tremia. Também me perguntava se estava no caminho certo, se perderia algo, se um dia voltaria a sonhar como antes.
Com o tempo, percebi que a frase que eu repetia tanto não precisava ser absoluta. Eu podia sentir medo. Eu podia duvidar. E, ainda assim, seguir em frente. Porque coragem não é apenas desafiar o perigo; é aceitar que o medo existe, mas não deixar que ele nos paralise.
E assim sigo, enfrentando crises, resolvendo problemas
Eu não tenho medo de perder algo, mas já faz tempo que nem sonho mais.
Felix Chaves
Enviado por Felix Chaves em 15/03/2025