FÉLIX CHAVES
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O JUIZ DE DIREITO E MANÉ BROCADO.
  
     João Pereira estudou na Capital, desde novinho. Filho único,  o pai  sismou que ele  tinha que ser doutor de leis.
      Comprou casa na Cidade, botou a mulher pra tomar conta do menino e  continuou na labuta na Fazenda, passando temporadas de idas e vindas.
      Não  faltava nada,  casa confortável,  colégios bons, e João  Pereira fazia gosto ao velho. Estudioso sempre passando de ano com boas notas.
      Entrou para a Faculdade de Direito.
      Continuou no mesmo ritmo de vida. Estudando cada vez mais e sonhando um dia ser Juiz de uma grande Comarca.
        Formou-se com méritos. O Pai, orgulhoso fez uma grande festa na região para apresentar aos amigos o filho doutor. Queria que ele ficasse por ali mesmo com escritório montado, e futuramente entrasse na política, quem sabe um Deputado ou mesmo Governador.
          Mas João Pereira,  não  desistia do velho sonho. Se formara para ser um Juiz de Direito.  Mesmo a contra gosto do Pai.
         Retornou à  Capital, onde fez o tão sonhado concurso, sendo aprovado. Só  que ao invés de uma grande Comarca, foi mandado para uma localizada em região totalmente desprovida de ares civilizados,  pra não dizer, um "Grande Sertão ". Mas como era reduto do Senador Marculino,  foi contemplada com Juiz, Promotor e Delegado.
          Antes o  responsável pela Justiça local era Sargento Alberico. Cabra valente, respeitado na região, descendente de cangaceiro. Ele mais três soldados prendiam,  julgavam e condenavam.
          Mas as coisas começaram a mudar. Porém  a população demorou a entender esse negocio de Doutor juiz de Direito.
          Um fato inusitado ocorreu que caracterizou bem essa situação.  
           Mané Brocado, cabra valente, cachaceiro e brigador nas festas,  onde ia sempre acompanhado com seu facão amolado  e de bainha de couro cru. Dizem que já tinha umas seis mortes em conta.
            Nesse dia,  no festejo da Padroeira, estava invocado. Começou a arruaça.  Deu lapadas em dois, cortou a mão de um terceiro.
              Foram atrás do Delegado e do Doutor Juiz.
             João Pereira querendo mostrar  autoridade para a população,  falou pra Mané Brocado:
             ___ Entregue a arma pro Delegado. E  deu voz de prisão.
             Mané Brocado olhou  meio incrédulo e perguntou:
            ____O Senhor é  o tal Sargento Alberico?
            ____ Não, respondeu João.
            ____ E quem é o senhor?
            ____ Sou o Doutor Juiz de Direito.
            ____  Quem?
            ____ O Juiz, a lei desta cidade.
           _____ Mas não é o Diabo mesmo rapaz, disse Mané.
Onde já se viu isso. Se fosse pelo menos um Soldado. Mas um  tal de Juiz.
           Me dê já meu facão.
Felix Chaves
Enviado por Felix Chaves em 10/10/2017
Alterado em 27/10/2017
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