FÉLIX CHAVES
TUDO VALE A PENA, SE A ALMA NÃO É PEQUENA
CapaCapa
Meu DiárioMeu Diário
TextosTextos
ÁudiosÁudios
E-booksE-books
FotosFotos
PerfilPerfil
Livros à VendaLivros à Venda
Livro de VisitasLivro de Visitas
ContatoContato
LinksLinks
Textos


      Era o ano de 1982. Terminava o curso de Medicina, iniciava então uma etapa esperada em sua vida, uma profissão, na qual tinha apostado todas suas esperanças, um futuro cheio de prosperidades. Fez o curso com dedicação , justamente porque sabia que ao termino, teria que enfrentar trabalho, onde aparecesse. Não estava em condições de recusar oportunidades. Era um dos mais novos da sua turma. E acreditava, que a profissão era  a saída para muitos jovens vindos de famílias de baixos recursos  serem alguém na vida .
      Não demorou muito surgiram propostas. Todas em cidades de pequenas populações. Carentes de todos os recursos possíveis e imagináveis. Indo desde o  isolamento devido  a péssimas condições de  acessos,  ate a falta total de opções de lazer e alimentação . Mas, precisava enfrentar. Nunca teve medo do inesperado, tinha o conhecimento técnico adequado para situações inusitadas, que com certeza apareceriam.  A sua escolha foi para uma cidade, onde havia um Hospital, que estava desativado há três anos por falta de médicos.     Pelo menos teria certa estrutura mínima organizada para iniciar seus trabalhos. Colocou seus poucos pertences em duas malas, rumou para o destino desconhecido.
       A ultima cidade que possuía um pouco de ar civilizado, antes de chegar, ficava cerca de quatrocentos quilômetros. Até ai, ainda possuía estrada com asfalto. Depois, era um verdadeiro caos. Época chuvosa demorou dois dias para chegar. Enfrentando diversos atoleiros, muitas vezes ajudou a empurrar o ônibus, se é que se podia chamar assim, algo que tremia mais que paciente com crise de malária. Chegou enfim, recebido com honras de um politico em campanha eleitoral, apresentado ao padre, prefeito, vereadores e outras figuras locais. Até discurso de boas vindas teve. Imediatamente pediu para conhecer as instalações do Hospital, pois pretendia morar no próprio local de trabalho.
      A casa estava mais para um deposito abandonado, paredes cheias de rachaduras, algumas salas com forros já desabando. Bem pior do que o esperado. A sua equipe já aposta, constituída por dois técnicos em enfermagem, um técnico em laboratório que nas horas de sufoco, também fazia o trabalho de auxiliar médico. Todos entusiasmados, por voltarem a exercerem novamente as atividades profissionais.  Não demorou muito a espalhar a  noticia de que um novo doutor havia chegado. E dia a dia só aumentava a demanda por tratamento. Como morava no local, não tinha hora para atender. Normalmente dispensava a equipe à noite e enfrentava sozinho o período noturno, o serviço era sempre bem mais calmo.
     Com apoio local, a casa de saúde ficou organizada, medicações que davam para resolver a maioria dos casos e materiais para pequenas cirurgias. Os casos graves eram encaminhados a uma cidade de referencia, depois de devidamente estabilizados.
      Uma noite, cidade já escura, pois depois das vinte e três horas a energia elétrica acabava, era mantida por motor a Diesel, só o hospital tinha energia á noite  tocada por um gerador também a Diesel. Nesse dia, enfermaria vazia. Sem movimento até naquela hora. Equipe de apoio em casa, de sobre aviso. Ouviu batidas bruscas na porta de maneira forte, repetidas e gritos por socorro.
       -----Acidente, acidente , gritava, vinha da fazenda o carro derrapou na curva, salva minha mulher que esta mais grave,   ela ta gestante  de oito meses. Consegui dirigir ate aqui.
           De imediato, colocaram a mulher no centro cirúrgico. Mandou chamar a equipe do Hospital, mesmo sabendo que não teria mais nada a fazer. Olhou  para o acompanhante, caído sem vida com um imenso trauma na cabeça. Ouviu alguém no corredor com passos rápidos.
     -----Doutor, sou o pai da moça, vinha atrás em outro carro. Vou  ajudar. Sou médico trabalhei muitos anos como cirurgião.
       Conseguiram salvar a criança, a mãe foi a óbito. O  ajudante estranho pediu licença saiu da sala. Tudo terminado, a equipe já tinha chegado, pergunta pelo Senhor que tinha  ajudado.
      ___chegamos não tinha ninguém aqui.
     ____como não tinha , o senhor , o médico que  ajudou, o pai da moça.
      ___Essa moça é filha do Fazendeiro, o Doutor Manuel, trabalhou muito tempo nesse hospital. Mas infelizmente faleceu há quatro anos. Um bom cirurgião.      
     Parabéns, o senhor salvou a criança.
      Olhou para o berço na enfermaria e o neto do Dr. Manuel  dormia em paz. Talvez sonhando com o avô que o salvou e que nunca iria conhecer.
 
   
 
 
 
               
 
Felix Chaves
Enviado por Felix Chaves em 12/08/2017
Alterado em 15/08/2017
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, criar obras derivadas, fazer uso comercial da obra, desde que seja dado crédito ao autor original (FELIX TADEU CHAVES E- MAIL felixtadeu@uol.com.br).


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras